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O pacto

Luciano Lima de Oliveira

Brasil



Mãos postas para o céu nesta noite de lua.
 A freira ecoou um cântico na madrugada. O festim havia terminado e ela, a desconhecida, estava comigo. Ela estava comigo em um bar numa noite triste de maio. Num bar de som e de luxúria. A um canto arlequim perfurava com graça nosso estômago. Um gracejo, sim, uma graça. Aquela palavra... Aquela palavra... Sabe? Ah... Sei!
Mas ela estava comigo-e eu não a vi, a prostituta, a desventurada, a menina, a mulher... Ela estava comigo e eu não sabia. O álcool rolava ardente em todos os corpos. Por trás das portas, sexo, sexo, lascívia aos olhos. Uma dose, um trago, por favor! Pedia o mendigo. Uma música tocava... Um círculo compacto. Reza a confraria... A bacanal prossegue. Não se vê, não se sabe, não se sente o que se passa em pensamento.
Mas ela estava comigo e intensificava seu cheiro no mistério.
Um corredor alargado para ruas sem homens desce para o mar. cai para... Cai para onde? A praça, o bar, deixamos. Vamos de mãos dadas, de mãos dadas, vamos! Corremos na madrugada. Nas arvores, no asfalto, a cada esquina, retraídos estão os corpos. Pernas que se vendem. Pernas que caem do alto. Prazer sem limite... Gozo, orgasmo... Os clientes penetrando... Ardem, ardem os seus vasos. É a sedução. O vermelho sangue bebo em tua graça. A mostra é da mulher de vermelho, mulher provinda de segredos.Ela está comigo, a prostituta, continuamos seguindo. A noite é profunda, profunda em seus mistérios.
De repente a correria, o espanto... Damos giros em pleno ar. Como caímos em pleno mar? Não, um vão, um vão... Perseguição das almas; profecia revelada; contentamento da luxúria. São tantas, são tantas, meu deus! Seria a palavra? As prostitutas nos perseguem. Maldita confraria! Em seus olhos, a vontade de matar. Uma pedra rolará, uma mão baterá... Baterá em ti. Medusa, em trapos, estátua, nudez, loucura, o pensamento: sangue ou veneno.
À vontade, as prostitutas batem em minha amiga. Corramos mais e mais. Para onde? Não sei. Dois pulos são dados. Duas pernas, dois corpos... Corre, corre, mulher! Dançam. É tarde. Espancá-la... Eis suas verdades. Ao lado da que está sendo agredida, um corpo em estado de putrefação. Um bosque como um corredor de vagão de trem. No meio, muitas arvores, gramíneas, flores em botão. Ela é agredida em congelamento: lentamente, lentamente... Logo elas prostitutas como tu?! O vagão não era estático, necessitava partir.
Consigo, então, resgatá-la entre feras; entre feras sedentas de vingança. Pusemos em fuga novamente. Novamente pernas. Para onde? Para onde? A resposta: doce inferno.

***

Como lá chegamos, não sei.
Era um quarto antigo, num condomínio também antigo de uma rua x. x será o seu nome. Incógnita será o seu nome. Mais uma incógnita no infinito.Um quarto cinza opaco, paredes caiadas, teto de madeira. Atrás, ninguém vê uma porta também de madeira. Apenas cinza, opaca, é o que basta. o ideal do mistério, o palco, o segredo revelado para nós.
Três largos hábitos de frade. Três grandes caveiras rezam. Rezar, não, rezar é difícil: recomendam-nos, entregam-nos por fim. A imagem vista ponta a ponta, ou seja, do limitado chão ao limitado teto. é do tamanho da parede; e do tamanho da gente; é do tamanho do nosso medo. Abaixo, vários coloridos frascos ebulindo em oferenda. De cristal, matéria pura, santa satã. Cuias, pós das mais diferentes espécies, ossos dos mais diversos esqueletos, crânios de caveira em adoração, em bênção, em confissão. Três secos hábitos se aprofundam. Aprofundam-se em quê? No que não nos foi dado a ver.
A adoração ao ser mais horrendo, a escultura esculpida, talvez, quem sabe, no mistério; um caminho para a morte. Será um objeto esse ser inominável? Não quero nada, não quero nada, apenas teu sangue, besta sagrada!!! O pacto se ouviu.
É uma figura bizarra: duas imensas asas de morcego, dois chifres medianos, dois olhos lânguidos-dois olhos cor de sangue; corpo de pássaro, não é pássaro, pássaro apenas no formato.É gato; é pássaro sem penas; duas minúsculas pernas, por que não patas? Com se estivesse sentado no inferno; dois pés, longas garras: de gavião, de águia: uma voltada no ar: androgenia de seres em uma única personagem.
Mais abaixo, ele é médio em relação ao comprimento do altar, um suplemento de sua imagem, um jazigo de mármore, opaco, provindo do inferno. Um altar... Um lugar profanado em sangue, oferenda mística sem santo. Sim, jazigo de podridões, alquimia latente em construção.
De repente minha amiga sobe. Uma porta se abre. Os três se aproximam, mas não me espreitam; não saem; quase invisíveis; quase homens, não sei...Não sei. Sentam os três velhos espectros de hábito marrom em três velhas cadeiras, em três imemoráveis sextas-feiras de silêncio.
Uma velha se acocora com um pilão. Bate o pilão: toc, toc, toc. Saio. vejo-a encurvada: é um duende. Ecoam-se risos na noite. Em fumaça veio, em fumaça partirá.
Aqui a revelação, o mistério. Parte-se o mármore. Um éter transpõe. O mármore se fecha. Um vulto como redemoinho... E eu no meio da sala de teto madeira, de chão de madeira, de odor abafado: uma sala de loucura. Ele, o ectoplasma, o redemoinho, dá três voltas, dá três voltas na sala. Tenho a impressão... Do quê? Um pacto na noite. Uma alma na noite. Não, não dada! confessaria-te que prenderia tua alma. Serias na verdade um objeto. Viverias em um objeto, como um objeto, preso; que queres ser, um quadro, um guarda-roupa, um ferro? Diga-me, não me negues! Queres ser um animal?Não te nego. E o espírito chora preso na matéria. Nada mais natural. O corpo, o que é o corpo? Cadeia do espírito. Por que somente num corpo? Por que não num objeto? Por quê?
O círculo havia terminado. Alguém bate a porta. A amiga, a prostituta, a amante... Não, não entre! Fecho a porta rapidamente. Ele me segue. Ainda luta a amiga, a amante. A porta é fechada. Secos tacos de tamancos são ouvidos.
O mármore abre-se. O vulto entra.fecha-se novamente a forma, a forma em aversão. De súbito uma pequena caixinha quadrangular, um dado-jogo de azar cai e quebra. O barulho ensurdecedor de ossos se fraturando, de cristais se quebrando, de cacos de vidro, de vida, de mistério.
Negarás teus pais. Sofrerás injúrias. Perecerás. Mas estarei contigo. Serás traído, enganado, abandonado nas ruas. Mas estarei contigo. Fiel companheiro és-me, fiel companheiro ser-me-á hoje, agora e sempre.
Súbito o entendimento: a revelação; prenúncio de um novo momento. Dois textos escritos, dois textos marcados. Mais um círculo fechado na madrugada fria de maio; de maio com os seus mistérios.
Dados jogados; roletas girando; aposta fechada.
Adiante, sem mais nem menos, um corre em gotas, em cores: estalos.O galo canta, o círculo fecha, o duende dá pulos, arlequim sorri, uma puta breve-bem breve-corre para mim.
A fumaça transpõe nossos espíritos. A bruta alegre sorri. O pacto é consumado nas trevas do sem fim.

P.S.das profundezas clamo por ti, senhor!

Este artículo tiene © del autor.

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