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O casarão

Luciano Lima de Oliveira

Brasil



Havia perto de minha casa um antigo casarão abandonado. Olhando-o por fora, a sensação que ele passava era uma mistura de medo e ousadia para desvendá-lo e conhecê-lo mais ainda.
Certo dia, não tendo nada para fazer, fui até lá para conhecê-lo. Logo na entrada, propiciando o acesso para a varanda, cinco marmóreos degraus que na realidade mais pareciam tampas de jazigo. Meu medo se excitara mais ainda. Já chegando no último lance-no limiar da varanda-a revelação de um outro tempo, de uma outra casa, de uma longínqua varanda de minha infância. Mas não, aquela varanda de chão de madeira, de teto de madeira, de paredes de madeira, em nada se relacionava com a antiga varanda que eu concebia em minha memória. Na verdade, em cada compartimentozinho daquela área, a primeira coisa que se via eram as perfurações levadas a cabo pelos cupins no chão. Entre os toldos, pequenas plantas silvestres brotavam se pedir licença para ninguém e mesmo que quisessem não haveria ninguém para conceder.Também se via, no que outrora fora o local onde se guardavam as cartas, um saliente ninho de pardais que de tão espessos já estendiam seus fios no chão. A comparação que me vinha à memória era de uma comprida cabeleira de bruxa.
Porém meu desejo era penetrar mais ainda àquele casarão. Uma porta, somente uma porta me separava do resto do mundo; uma porta velha de madeira colonial envelhecida lentamente pelo tempo; desfazendo-se pouco a pouco em fios. Empurrei-a então.
Já estava na sala, porém não conseguia ver nada por trás da janela que nela havia, pois simetricamente estavam alinhadas e fechadas. Tentava em vão acender o grande lustre de cristal que havia no meio da sala, porém logo percebia que no casarão na existia instalação elétrica e tudo era clareado à base de vela pelos antepassados. Daquele velho lustre, aconchego por vezes dos lascivos passarinhos e abrigo permanente das aranhas, somente a imagem de uma decadente sociedade de outrora se acendia.Era necessário, portanto abrir lentamente todas as janelas e contemplar a escada que se via no outro extremo da sala. Sim, o casarão além de seus inúmeros vãos que se percebiam no andar térreo apresentava um desconhecido compartimento superior. Embora eu não tivesse coragem nem tempo para percorrê-lo, estimulava mais ainda minha curiosidade. Mas o medo... Mas o tempo... Meu Deus, me deixavam como recordação uma fantasmagórica escada, caminho que me levava a uma  comparação mais próximo do que viria a ser o juízo humano; um lugar de procuras e desejos não revelados; um lugar que me revelaria minha  mais nua incapacidade de se aventurar no desconhecido.

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