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Divina canção humana

Luciano Lima de Oliveira



Entre arvoredos e flores em botão,
A mão do arcanjo inunda de luz
Todo o jardim,
As flores se abrem subitamente,
Os pássaros em bando cantam;
Das nuvens, ligeira neblina,
Névoa aureolada de luz.
O arcanjo será Gabriel,
Será Rafael
Ou apenas um sonho?
Não importa, o amor e invisível aos olhos.
Não importa que sejam vultos,
Fumaças esvoaçantes de luz,
Uma pedra sem rumo.
Não importa.
O que na verdade importa
É o entreter de suas mãos
A modelar todo o jardim.
Preparam as bem-aventuranças
Por todo o universo simplesmente
Com aquelas mãos inundadas de luz;
São frutos, rosas, amor imperceptível aos olhos.
Como circundam o jardim em coro cantante,
As crianças logo sorriem.
O enfado, o cansaço e o sono
Se enchem de vigor e graça.
“Vamos, diz o arcanjo, abram-se rosas!”.
Faça-se a luz, luz são seus corpos!
Surjam as águas, águas de seus olhos!”
Refrão:
Jardim com jardineiro.
Jardineiros incansáveis, anjos.

 

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