Portada del sitio > LITERATURA > Cuentos > O CRIME FOI EM MINHA CASA
Grabar en formato PDF Imprimir este artículo Enviar este artículo a un amigo

O CRIME FOI EM MINHA CASA

Luciano Lima de Oliveira

Brasil



ERAM DOIS CORPOS .

 O ALARIDO EM MINHA CASA ERA TERRÍVEL. ATRAVESSAVA A SALA EM ESPANTO. NO CHÃO, DOIS GRANDES CORPOS JAZIAM NO CENTRO DA SALA. É NECESSÁRIO NÃO TOCÁ-LOS; NÃO SENTIR SEUS CHEIROS; É NECESSÁRIO FUGIR. QUE MEDO !
 COMO FORAM PARAR ALI? NÃO SEI. O LÍQUIDO VISCOSO

ESCORRE LENTAMENTE DE SEUS CORPOS. A MADRUGADA SAPECA- OS MAIS E MAIS. E AQUELE PEQUENO EMBRULHO NA ENCRUZILHADA DE TUA CASA? BONECA DE PANO, DE PANO, NÃO OLHES!
 O GALO CANTA TRÊS VEZES NO INFERNO. TRÊS VOZES INAUDÍVEIS NO SILÊNCIO. DE REPENTE UM BURBURINHO. PAPAI ACORDA. ONDE ESTAVAS ? ONZE SECAS BALAS DISPARADAS DE SEU REVÓLVER. A NOITE DE SONO RENOVARA CADA VEZ MAIS SUA JUVENTUDE. UM CRIME ORIUNDO DE PENSAMENTOS. MAS O CÉU, A PROVIDÊNCIA DIVINA, ONDE ESTÃO? MAMÃE, O DESESPERO.
 AS VIZINHAS SAEM EM BANDO CIRCUNSPECTO. TALVEZ PENSEM ... PENSEM O QUÊ ? TAMBÉM SE MATA EM PENSAMENTO.
O GRANDE CRIME NÃO FOI, É; O PRESENTE, NÃO, O PASSADO.
 UM GATO PRETO PERCORRE NOSSAS ALMAS. PAPAI, QUE FAREMOS? VIGOROSO ÉS, VIGOROSO SERÁS. A BONECA DE PANO... COITADA... ! CHORA ESPETADA POR AGULHAS NA PEQUENA FOGUEIRA .
 NA MINHA CASA, DOIS CORPOS. O BARULHO DOS VIZINHOS NA NOITE... O VÔO RASGANTE DA CORUJA NO VÃO PROFUNDO DO INFERNO. O DUENDE DÁ TRÊS PULOS, DÁ TRÊS PULOS NO MISTÉRIO.
 SAIO DE CASA . A VIZINHA ENTRE GRADES ME CHAMA. EM SEUS OLHOS, A PERGUNTA: COMO SE CHAMA AQUELA FLOR QUE NASCE EM PENSAMENTO E QUE NUM FUTURO LONGÍNQUO BROTARÁ NA PALMA DAS MÃOS, AQUELA QUE ESTARÁ NO MEU, NO TEU, NO NOSSO CORAÇÃO?
 TUA CRIANÇA DORME ,VIZINHA. VAIS DORMIR ! VELAREI POR TI. O QUEBRANTO ERA MAIOR. ELA NÃO TINHA RESPOSTA.
O SUICÍDIO VEM DO ALTO. CAI... CAI ... CAI... MEU DEUS, A MIM FOI DADO O MISTÉRIO DOS ANJOS! LOGO A MIM QUE VIVO TÃO INDIFERENTE?! DOS ANJOS, PENSAM. MAIS TRÊS PULOS DADOS- MAIS TRÊS PULOS O DUENDE. CALUNGA AINDA

ARDE ; CALUNGA ARDE NA ENCRUZILHADA. JÁ NÃO TE DISSE PARA NÃO MEXER COM ESSES TRABALHOS ESCONDIDOS NAS NOITES DORMIDAS DA VIDA? UMA MAÇÃ... AMOR, PAIXÃO, LUXÚRIA .... RECHEADA DE PREGOS. O SABOR AGRIDOCE É MEU.
 CLAREIA A MADRUGADA. O SUBTERRÂNEO DO MEDO É A ESTRADA. DOIS AGENTES DO INSTITUTO MÉDICO AINDA SÃO A SOLUÇÃO. SÃO DOIS: UM NOVO, UM VELHO; UM BARBADO, OUTRO IMBERBE. INDAGA-ME O MAIS VELHO: - QUE QUERES? A RESPOSTA ENTRE JANELAS, PORTAS NÃO HÁ: DOIS CORPOS ARDEM EM MINHA CASA: UM NA SALA, SOZINHO; OUTRO NA RUA, VIZINHOS.
 MEU PAI TIVERA UMA IDÉIA: EMBRULHAR OS CORPOS . DOIS IMENSOS SACOS ENVOLVEM OS MORTOS. SÓ COMEÇASTE, SÓ TERMINASTE, OS DOIS DE CASA OS DE FORA FAZEM.
 PAPAI LEVANTA O CORPO CARBONIZADO, COMO UM EMBRULHO, DESPERSONIFICADO, UM BONECO. O CORPO MINA MANTEIGA.
PAPAI SE ESQUIVA. SUAS MÃOS BRILHAM NA MADRUGADA. TENTO CALMAMENTE PASSAR POR BAIXO DO CORPO. NÃO, MINHA CAMISA GOTEJADA DE... ! SUJOU, PAPAI? NÃO. TRÊS MANCHAS DE MANTEIGA NA MINHA CAMISA COR DE MANTEIGA. LAVAR AS MÃOS. A TORNEIRA, O SABONETE, O ESPELHO, MANTEIGA. O LÍQUIDO PINGA GOTA A GOTA NA MADRUGADA DE ORVALHO.
ESTOU PERDIDO. É O CHEIRO PERFUMADO DO PERFUME.
 EM CASA O EMBRULHO É TERMINADO PELOS VIZINHOS. UM VÃO CURTO INTERLIGA A TODOS. A CIRCUNFERÊNCIA, O ESPAÇO DELIMITADO, UM CORREDOR DE LOUCURA NUMA NOITE FRIA DE MAIO. DIA DAS MÃES? QUEM SABE. MAIS UM CIRCULO FECHADO.
FAÇA O SINAL DA CRUZ, MENINO! QUANDO EU ERA CRIANÇA, GOSTAVA DE ME IMAGINAR FECHADO CIRCULOS DE VIDA. A PRIMEIRA IGREJA, A SEGUNDA IGREJA, A TERCEIRA... NO FINAL MAIS UM CIRCULO FECHADO.
 É HORA DE PARTIR.
 OS CORPOS SÃO COLOCADOS NO MEIO DO ASFALTO. O BURBURINHO DOS VIZINHOS SE TORNA MAIS DISPERSO A CADA SEGUNDO. PAPAI, SONO; MAMÃE, SEI LÁ ONDE. SOU APENAS EU MAIS DOIS CORPOS. DISTANTE, UMA CASA COM UMA VELA VOTIVA. FAZ FRIO.
 EM PÉ ESTOU, EM PÉ ESTAREI. ONDE ESTÃO TODOS?
DORMINDO PROFUNDAMENTE. DOIS TECNICOS, POR FAVOR! O GRITO SOA ABAFADO NO ESCURO. CORRER... CORRER...
CORRER. A LUZ PRENUNCIA DISTANTE. QUERO UM CARRO DO INSTITUTO MÉDICO. NA ENCRUZILHADA ELE DESPONTA. DE REPENTE MÃOS; APENAS MÃOS RESGATAM OS CORPOS. PERGUNTAS NÃO. ESTOU TÃO SÓ. NO SILÊNCIO, DORME EM PAZ, PAPAI! O GALO CANTA, CANTA, CANTA. SENTO-ME NO BANCO ENTRE

ARVORES DE BROTO BROTANDO. LOGO CHEGARÁ A MANHÃ QUE DESPERTARÁ OS SONHOS. DORME, MENINO, QUE EU VENHO TE NINAR; VOU LAVAR, VOU ENGOMAR CAMISINHA PARA VOCE. OH, OH, OH, OH!!!! AH, AH, AH, AH!!!!
 NA RUA DESERTA, OS CORPOS, OS VIZINHOS, A VIZINHA ESVAINDO-SE LENTAMENTE. A MÚSICA TOCA NO INFINITO DE TODAS AS ALMAS. O SOL PENETRA RASGANTE EM NOSSOS OLHOS. É MANHÃ.
 O CRIME FOI EM MINHA CASA.

Este artículo tiene © del autor.

621

Comentar este artículo

   © 2003- 2015 MUNDO CULTURAL HISPANO

 


Mundo Cultural Hispano es un medio plural, democrático y abierto. No comparte, forzosamente, las opiniones vertidas en los artículos publicados y/o reproducidos en este portal y no se hace responsable de las mismas ni de sus consecuencias.

Visitantes conectados: 7

Por motivos técnicos, reiniciamos el contador en 2011: 3336325 visitas desde el 16/01/2011, lo que representa una media de 606 / día | El día que registró el mayor número de visitas fue el 25/10/2011 con 5342 visitas.


SPIP | esqueleto | | Mapa del sitio | Seguir la vida del sitio RSS 2.0